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As novas do velho continente com CAROLINA BRAGA

domingo, janeiro 28, 2007

Reflexoes piradas e desordenadas sobre o cinema brasileiro

Que reflexões fazer do cinema brasileiro depois da passagem pelo Festival de Rotterdam? A produção que tem o nordeste como foco está em alta. Rotterdam selecionou para sua mostra “O Baixio das Bestas”, do pernambucano Cláudio Assis; “O Céu de Suely”, do cearense Karim Ainouz e um programa especial dedicado aos curtas de Kleber Mendonça Filho, de Recife. Além disso, o nordeste também aparece em “Trecho”, dos mineiros Helvécio Marins Jr e Clarissa Campolina, já que o personagem principal é nordestino e sai de Belo Horizonte com destino ao Recife.

As outras produções em cartaz na Holanda são “Antônia”, de Tata Amaral, um retrato do hip hop na periferia de São Paulo e “Acidente”, dos mineiros Cao Guimarães sobre vinte realidades diferentes e cotidianas no interior de Minas.

Placar final: 8 (contando os curtas de Kleber) X 2.

O nordeste está ou não arrasando? Sim e temos no mínimo dois caminhos para entender esse boom: 1) O nordeste oferece personagens mais ricos, tem imagens igualmente valiosas e agora cineastas que entendem a região; 2) Os produtores do nordeste encontraram o próprio “mercado”.

O mapa da produção cinematográfica brasileira apresenta uma mudança gradual nos últimos cinco anos. Se antes, 33% dos recursos de lei de incentivo à cultura eram destinados a projetos de São Paulo, outros 33% a filmes do Rio de Janeiro e o resto do país deveria entrar na briga pelos 33% restantes, a política de descentralização implementada pelo Ministério da Cultura ajudou a dividir melhor esse bolo o que acabou jogando luz em uma produção até então escondida, a dos independentes.

E por independentes podemos entender cineastas e produtores que se permitem experimentar, filmam o que querem, como querem, com quem querem. Tem uma espécie de liberdade! Durante os anos de esconderijo muitos foram desenvolvendo as próprias linguagens: originais, fortes, verdadeiras e muitas vezes nada comerciais.

Por serem originais, fortes, verdadeiros e nada comerciais interessam ao circuito internacional que justamente está em busca de novos talentos, novos nomes, como é o caso de Rotterdam.

Mas falta alguma coisa. Se aqui em Rotterdam Karin Ainouz consegue atrair pelo menos 500 pessoas, no meio da tarde, para ver O céu de Suely, as pessoas estão curiosas para ver o que vem do Brasil, não sei se aí também é assim. Minha aposta vai para o não. O público de cinema do Brasil não está educado para abrir o coração e ver valores nessa producao independente.

Podemos sim nos divertir com as comédias românticas americanas, as superproduções com efeitos especiais, mas também devemos estar abertos para nos emocionar ou até nos revoltar com histórias da nossa gente.
Acho que o texto ficou uma loucura. Se quiser acrescentar alguma coisa, seja benvindo!

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